sábado, 22 de agosto de 2009

E eu que era plural, me vi tão singular...

Já se viu tão apegado a algum trabalho por meses que quando ele terminou você ficou triste? É assim que eu me sinto hoje, mas não por um trabalho, e sim pelo fim de um relacionamento de mais de 8 meses.

Mencionei a princípio um trabalho porque na minha adolescência eu sempre me via apegado a muitos. Eu sempre começava um trabalho não dando a mínima para ele, mas depois de um tempo eu aprendia tanto que acabava me interessando mais e mais, até que um dia eu o terminava. Não importava se o trabalho valesse um 10, eu sempre achava que não tinha dado o melhor de mim. Não porque o resultado final fosse ruim aos meus olhos, mas sim porque eu poderia ter rendido mais se tivesse me interessado por ele desde o começo. Ou será que não?

Eu cresci com uma mãe solteira que sempre teve muitos relacionamentos, e acabei criando uma ideia errada sobre eles. Os relacionamentos da minha mãe nunca duravam muito mesmo... Outro problema meu é ter o ego muito inflado. Na verdade, inflado até demais. Não suporto nem me sentir 1% por baixo em qualquer situação/coisa. Na época de trabalhos em grupo no colégio, todo mundo queria fazer comigo porque eu era plural. Meu grupo sempre fui eu. Não importa quem estivesse ali, eu controlava e fazia tudo. Quando pela primeira vez me envolvi sentimentalmente de verdade com alguém, eu não dei a mínima. Achava que iria começar e terminar como qualquer relacionamento normal (que eu entendia pelos da minha mãe), o que não aconteceu. Começar não dando a mínima, mas terminar com o seu mundo girando ao redor de determinada pessoa é provavelmente a pior maneira de se ter um relacionamento. E eu sou errado mais de uma vez porque a medida que eu me sentia mais apaixonado, meu ego, do outro lado, tentava balancear a equação (paixão/amor pelo outro [menor que] amor próprio). Pela força do ego, passei a agir como num trabalho em grupo, tentando controlar tudo. Depois de muito tempo de briga por bobagens, ciúmes idiotas, etc., o relacionamento não foi pra frente, claro. Mas eu caí na conformidade com isso porque achei que não seria difícil mudar com o tempo e tentar novamente.

Depois de anos pra superar o primeiro grande erro (meu, não da terceira pessoa do singular), eu me vejo num segundo trabalho, mas com o mesmo tema, com a mesma equação, mudando apenas o prazo de entrega e a terceira pessoa do singular. Meu plural sempre esteve ali, intacto. Meu plural do eu sozinho. Eu tentando mandar, controlar, fazer do "nós" um "eu" mais numeroso. Mas dessa vez eu não me vi conformado. Eu queria manter esse "eu", eu queria me manter no plural. E eu voltei e voltei, fiz a equação milhares de vezes, errei em todas elas. Eu não consegui achar o resultado correto, então rabisquei o errado, mas desisti de procurar o errado. A terceira pessoa do singular não quis mais compactuar com o meu "nós", e agora eu sou o eu de novo, mas descobri que não consigo mais ser plural, mesmo que sendo o plural vazio, sozinho e sem sentido. Eu agora sou singular. Talvez pela primeira vez desde que me entendo e me auto-analiso. Eu sou um singular triste. Triste porque sei que nunca poderei um plural de verdade. Triste porque não sei ser um plural de verdade. Existiria motivo para alguém que não sabe ser plural continuar? Não deveria eu ser apenas neutro? Eu queria ser um 0. É bem mais fácil ser 0 do que ser um número positivo ou negativo. O 0 entra numa equação e não faz quase nenhuma diferença. No máximo, ele vai atrapalhar, vai tornar tudo neutro como ele ou fazer com que a equação seja impossível. É, mas eu não sou um número, sou um pronome. E não tenho coragem suficiente pra virar um número neutro.

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